Bom dia, Aleto.
Venho aqui, pois achei por bem te informar das coisas que acontecem.
Fomos ontem ao cinema, criança. E deu-me pena dela. A todo minuto o rosto dele surgia em sua mente. A todo momento uma angústia que apenas nós conhecemos.
Sinto por ela, minha amiga. Sinto porque sei das coisas que ela sente. Das noites e das manhãs de pleno vazio. Sei das noites em que ela chega da faculdade, arrastando-se apenas sobre os pés e implorando, silenciosamente, para nao chegar em casa.
E eu queria poder ajudar. Reconfortar com algo que fosse. Dizer que vai passar. Dizer que as coisas vão mudar e ela vai ter escolhas pra fazer, minha amiga.
Mas não sei usar minhas palavras pra isso.
Por vezes, Aleto, a paciencia que temos de ter não é suficiente pra reconfortar nossos corações. E eu sinto, que bem ao fundo essa paciencia está destruindo aos poucos tudo o que ela já foi.
É uma ilusão achar que ela cresceu. É uma ilusão achar que ela consegue levar a vida assim, sozinha, enfrentando tudo com a coragem que lhe foi dada. Ah Aleto, nunca a vi mais perdida. Nunca a vi mais triste e sem rumo.
Eu, que pertenço a ela, conheço cada sorriso que ela dá e todos os pensamentos que ela tem.
E não há um minuto sequer que o rosto dele não se projete a frente.
Não há um minuto sequer que lembranças banais não pulem nos seus olhos e marquem de lágrimas tudo o que um dia foi tão feliz.
Sinto dizer, minha querida, que todas as esperanças que um dia ela alimentou vão morrendo aos poucos. E ela, querida, só espera.
E a espera é a dor mais aguda. Pois é a incerteza que bate à porta. São as feridas que gritam dentro de si. A espera, Aleto... Ah a espera!!
Tenho poucas palavras pra relatar, minha amiga.
E enquanto eu tomo posse do corpo dela, sei que os lábios se contraem e os olhos se apertam em sinal de tristeza.
Amar, minha amiga, é um privilégio dos mortais, assim como a morte. Mas a saudade é o castigo que temos por sermos capazes de tão belo sentimento, o amor.
Despeço-me de ti, Aleto.
Com esperanças de que relatos a você façam a dor que ela sente calar.
Shiva.
******
Incognita: Ahh, a noite não foi tão ruim. O filme foi ótimo.
Lust: ... mas faltou algum(a) coisa.
Thaís: Não faltou "alguma coisa", faltou alguém. E não foi alguém qualquer. Faltou ele.
Shiva: ...
Venho aqui, pois achei por bem te informar das coisas que acontecem.
Fomos ontem ao cinema, criança. E deu-me pena dela. A todo minuto o rosto dele surgia em sua mente. A todo momento uma angústia que apenas nós conhecemos.
Sinto por ela, minha amiga. Sinto porque sei das coisas que ela sente. Das noites e das manhãs de pleno vazio. Sei das noites em que ela chega da faculdade, arrastando-se apenas sobre os pés e implorando, silenciosamente, para nao chegar em casa.
E eu queria poder ajudar. Reconfortar com algo que fosse. Dizer que vai passar. Dizer que as coisas vão mudar e ela vai ter escolhas pra fazer, minha amiga.
Mas não sei usar minhas palavras pra isso.
Por vezes, Aleto, a paciencia que temos de ter não é suficiente pra reconfortar nossos corações. E eu sinto, que bem ao fundo essa paciencia está destruindo aos poucos tudo o que ela já foi.
É uma ilusão achar que ela cresceu. É uma ilusão achar que ela consegue levar a vida assim, sozinha, enfrentando tudo com a coragem que lhe foi dada. Ah Aleto, nunca a vi mais perdida. Nunca a vi mais triste e sem rumo.
Eu, que pertenço a ela, conheço cada sorriso que ela dá e todos os pensamentos que ela tem.
E não há um minuto sequer que o rosto dele não se projete a frente.
Não há um minuto sequer que lembranças banais não pulem nos seus olhos e marquem de lágrimas tudo o que um dia foi tão feliz.
Sinto dizer, minha querida, que todas as esperanças que um dia ela alimentou vão morrendo aos poucos. E ela, querida, só espera.
E a espera é a dor mais aguda. Pois é a incerteza que bate à porta. São as feridas que gritam dentro de si. A espera, Aleto... Ah a espera!!
Tenho poucas palavras pra relatar, minha amiga.
E enquanto eu tomo posse do corpo dela, sei que os lábios se contraem e os olhos se apertam em sinal de tristeza.
Amar, minha amiga, é um privilégio dos mortais, assim como a morte. Mas a saudade é o castigo que temos por sermos capazes de tão belo sentimento, o amor.
Despeço-me de ti, Aleto.
Com esperanças de que relatos a você façam a dor que ela sente calar.
Shiva.
******
Incognita: Ahh, a noite não foi tão ruim. O filme foi ótimo.
Lust: ... mas faltou algum(a) coisa.
Thaís: Não faltou "alguma coisa", faltou alguém. E não foi alguém qualquer. Faltou ele.
Shiva: ...
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